sábado, 13 de junho de 2009

teoria.

Com fundamento nestas concepções, as primeiras grandes obras da antropologia, consideravam, por exemplo, o indígena das sociedades não europeias como o primitivo, o antecessor do homem civilizado: afirmando e qualificando o saber antropológico como disciplina, centrando o debate no modo como as formas mais simples de organização social teriam evoluido, de acordo com essa linha teórica essas sociedades caminhariam para formas mais complexas como as da sociedade europeia.
Nesta forma de apreender a experiência humana, todas as sociedades, mesmos as desconhecidas, progrediriam em ritmos diferentes, seguindo uma linha evolutiva. Isso balizou a idéia de que a demanda colonial seria "civilizatória", pois levaria os povos ditos "primitivos" ao "progresso tecnológico-científico" das sociedades tidas como "civilizadas". Há que ver estes equívocos como parte da visão do mundo que pretendiam estabelecer as diretrizes de uma lei universal de desenvolvimento.
Mas não se pode generalizar e atribuir as características acima a todos os autores que se aparentaram a essa corrente. Cada autor tem suas próprias nuances. Durkheim, por exemplo, procurou nas manifestações totêmicas dos nativos australianos a forma mais simples e elementar de religiosidade, mas não com o pensamento enquadrado numa linha evolutiva cega: se nossa sociedade era dita mais complexa ele atribuía isso às diversas tendências da modernidade de que somos fruto, e a dificuldade de determinar uma tendência pura na nossa religião, escamoteada por milhares de anos de teologia.

As divinas palavras.

Liatiff, Aldo. As divinas palavras: Identidade étnica dos Guarani-Mbyá. Editado por la Universidad Federal de Santa Catarina -UFSC- Florianópolis, Brasil, 1996. 160p.
El autor Nació en Río de Janeiro en el año 1958. Graduado en Filosofía en 1986 por la UFSC, obtuvo cinco años después su Maestría en Antropología Social. Como fotógrafo realizó diversas exposiciones fotográficas sobre los Guaraní de Brasil. Actualmente trabaja como antropólogo en el Museo Universitario de la UFSC.
Editora da UFSCCampo Universitario - TrindadeCaixa Postal 47688010-970 - Florianópolis - SC Brasil
Por Sílvio Coelho dos Santos
Escrito como dissertaçao de mestrado, este livro oferece uma importante contribuiçao para o entendimento do universo dos Guarani-Mbyá. Seu autor, Aldo Litaiff, teve experiência profissional como fotógrafo e formaçao acadêmica na área de Antropologia. Durante o curso de mestrado realizado na UFSC, dedicou-se à Etnologia e aos Guarani-Mbyá. Escolheu um pequeno grupo que recém havia se localizado no litoral do estado do Rio de Janeiro, numa pequena area incrustrada na Serra do Mar. Talvez por obra do acaso, Aldo Litaiff percorreu uma parte da trajetória de Egon Schaden, um dos pioneiros dos estudos antropológicos sobre os Guarani, que também elegeu pequenos grupos Mbyá, no litoral de Sáo Paulo, para suas pesquisas. E o fez, com sucesso e originalidade. Sua sensibilidade como profissional da fotografia, náo só orientou a inclusáo de uma documentaçâo fotográfica de excepcional valor etnográfico, como permitiu-Ihe incorporar depoimentos de diferentes informantes que mais parecem descriçoes textuais de closes e de ampliaçoes de detalhes fotográficos.
Os Cuarani-Mbyá têm uma longa experiência de resistência à dominaçao branca. Habitantes tradicionais da floresta, esses índios, no presente, começaram a adquirir maior visibilidade pelas lutas que travam para assegurar pequenas áreas de terra, que lhes permitam manter pelo menos, parte de seu modo de vida. Algumas famílias extensas têm logrado o apoio de organizaçoes nao-governamentais, de governos municipais e da própria FUNAI para lhes assegurar o acesso a uma ínfima parcela das terras que outrora eram suas. Mas, em geral, como sao índios que usam calça e camisa, aparecem para a maioria dos interlocutores de forma estereotipada, ou seja, como sujos, bêbados, malandros e, assim, desqualificados para pleitearem quaisquer direitos. A procura da "terra sem males", localizada no imaginário dos Guarani, para além do Atlântico, por si nao minimiza as responsabilidades dos brancos sobre os poucos espaços territoriais que sobraram para esses índios. A perambulaçáo desses índios, organizados em pequenos grupos familiais, por estradas e ródovias do Sul e Sudeste do país, é uma face trágica dessa diáspora. O que Aldo Litaiff faz com mestria é mostrar a dignidade desses índios, destacando sua visáo de múndo, sua cosmologia e suas representaçoes étnicas. Com esse escopo, muita sensibilidade e comprometimento, dá-nos uma descriçao polissêmica, densa e realista dos Mbyá, da aldeia Bracuí, contribuindo assim para a melhor compreensao dos problemas vivenciados pelos índios, enquanto minoria no Brasil presente.

terça-feira, 9 de junho de 2009

A história da antropologia.

O século XVIII

Fonte : Wikipédia  a Inciclopédia Livre .

Até o século XVIII, o saber antropológico esteve presente na contribuição dos cronistas, viajantes, soldados, missionários e comerciantes que discutiam, em relação aos povos que conheciam, a maneira como estes viviam a sua condição humana, cultivavam seus hábitos, normas, características, interpretavam os seus mitos, os seus rituais, a sua linguagem. Só no século XVIII, a Antropologia adquire a categoria de ciência, partindo das classificações de Carlos Lineu e tendo como objeto a análise das "raças humanas".
O legado desta época foram os textos que descreviam as terras, a (Fauna, a Flora, a Topografia) e os povos “descobertos” (Hábitos e Crenças). Algumas obras que falavam dos indígenas brasileiros, por exemplo, foram: a carta de Pero Vaz de Caminha (“Carta do Descobrimento do Brasil”), os relatos de Hans Staden, “Duas Viagens ao Brasil”, os registros de Jean de Léry, a “Viagem a Terra do Brasil”, e a obra de Jean Baptiste Debret, a “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. Além destas, outras obras falavam ainda das terras récem-descobertas, como a carta de Colombo aos Reis Católicos. Toda esta produção escrita levantou uma grande polémica acerca dos indígenas. A contribuição dos missionários jesuítas na América (como Bartolomeu de Las Casas e Padre Acosta) ajudaram a desenvolver a denominada “teoria do bom selvagem”, que via os índios como detentores de uma natureza moral pura, modelo que devia ser assimilado pelos ocidentais. Esta teoria defendia a idéia de que cultura mais próxima do estado "natural" serviria de remédio aos males da civilização.
O século XIX.
No Século XIX, por volta de 1840, Boucher de Perthes utiliza o termo homem pré-histórico para discutir como seria sua vida cotidiana, a partir de achados arqueológicos, como utensílios de pedra, cuja idade se estimava bastante remota. Posteriormente, em 1865, John Lubock reavaliou numerosos dados acerca da Cultura da Idade da Pedra e compilou uma classificação em que enumerava as diferenças culturais entre o Paleolítico e Neolítico.
Com a publicação de dois livros, A Origem das Espécies, em 1859 e A descendência do homem, em 1871, Charles Darwin principia a sistematização da teoria evolucionista. Partindo da discussão trazida à tona por estes pesquisadores, nascia a Antropologia Biológica ou Antropologia Física
A antropologia evolucionista.
Marcada pela discussão evolucionista, a antropologia do Século XIX privilegiou o Darwinismo Social, que considerava a sociedade europeia da época como o apogeu de um processo evolucionário, em que as sociedades aborígenes eram tidas como exemplares "mais primitivos". Esta visão usava o conceito de “civilização” para classificar, julgar e, posteriormente, justificar o domínio de outros povos. Esta maneira de ver o mundo a partir do conceito civilizacional de superior, ignorando as diferenças em relação aos povos tidos como inferiores, recebe o nome de etnocentrismo. É a «Visão Etnocêntrica», o conceito europeu do homem que se atribui o valor de “civilizado”, fazendo crer que os outros povos, como os das Ilhas da Oceania estavam “situados fora da história e da cultura”. Esta afirmação está muito presente nos escritos de Pauw e Hegel.

Mitologia.

Mitologia é o estudo dos mitos (lendas e/ou histórias) de uma cultura em particular creditadas como verdadeiras e que constituem um sistema religioso ou de crenças específicos.
Os mitos são, geralmente, histórias baseadas em tradições e lendas feitas para explicar o universo, a criação do mundo, fenômenos naturais e qualquer outra coisa a que explicações simples não são atribuíveis. Mas nem todos os mitos têm esse propósito explicativo. Em comum, a maioria dos mitos envolvem uma força sobrenatural ou uma divindade, mas alguns são apenas lendas passadas oralmente de geração em geração.
Figuras mitológicas são proeminentes na maioria das
religiões e a maior parte das mitologias estão atadas a pelo menos uma religião. Alguns usam a palavra mito e mitologia para desacreditar as histórias de uma ou mais religiões.
O termo é freqüentemente associado às descrições de religiões fundadas por sociedade antigas como mitologia romana, mitologia grega, mitologia egípcia e mitologia nórdica, que foram quase extintas. No entanto, é importante ter em mente que enquanto alguns vêem os panteões nórdicos e célticos como meras fábulas outros os têm como religião (ver Neopaganismo).
Pessoas de muitas religiões tomam como ofensa a caracterização de sua fé como um conjunto de mitos, pois isso é afirmar que a religião em si é uma mentira. Mesmo assim, muitas pessoas concordam que cada religião tem um grupo de mitos os quais desenvolveram-se somados às escrituras.
Religião e mitologia.
Alguns usam os termos mito e mitologia para ilustrar histórias de uma ou mais religiões como algo falso ou duvidoso. Enquanto quase todos os dicionários incluem essa definição, mito nem sempre significa que uma história é falsa, tampouco verdadeira. O termo é constantemente utilizado nesse sentido de descrever religiões criadas pelas sociedades antigas, cujos ritos estão quase extintos. Muitas pessoas não consideram as histórias sobre a origem e acontecidos, como contendores de mitos; eles vêem seus textos sagrados como possuindo verdades religiosas, inspiradas divinamente, mas não repassadas em linguagens humanas. Outros separam suas crenças de histórias similares de outras culturas e se referem a estas como história. Essas pessoas se opõem ao uso da palavra “mito” para descrever suas crenças.
Para o propósito desse artigo a palavra mitologia é usada para se referir a histórias, que, enquanto elas podem ou não serem factuais, revelam verdades fundamentais e pensamentos sobre a natureza humana, através do freqüente uso de arquétipos. Também é necessário frisar que as histórias discutidas expressam pontos de vista e crenças de um país, um período no tempo, cultura e/ou religião a qual lhes deu à luz. Uma pessoa pode falar de mitologia Judaica, mitologia Cristã ou mesmo mitologia Islâmica, onde cada uma descreve os elementos míticos nessas religiões sem se referir à veracidade sobre a sua história.
Mitologia moderna.
Muitos fatos e personagens de jogos são inspirados em mitologias. Jogos de RPG como Final Fantasy recebem muitas criaturas provenientes de mitologias.
Séries de televisão e de livros como Star Trek e Harry Potter, por exemplo, têm aspectos mitológicos marcantes que algumas vezes desenvolvem-se em sistemas filosóficos profundos e intrincados. Essas séries não são mitologia, mas contêm temas míticos que, para alguns, atendem às mesmas necessidades psicológicas. Um ótimo exemplo são as obras O Silmarillion e O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien, bem como a série de filmes Star Wars (Guerras nas Estrelas) de George Lucas. Outra série é Supernatural, que ressalta muitos pontos da cultura espalhadas pelo mundo, ja que se ultilizam de muitos recursos, como as de algumas culturas que ja se extinguiram.
As leis de direitos autorais, no entanto, limitam os autores independentes de estender em um ciclo das histórias modernas. Alguns críticos acreditam que o fato de os principais personagens dos ciclos das histórias modernas não estarem no domínio público previne esses ciclos de emprestarem vários aspectos essenciais das mitologias. O "Fan fiction" atenua esse problema.
Ficção, porém, não atinge o nível de mitologia enquanto as pessoas não acreditam que aquilo realmente aconteceu. Por exemplo, alguns acreditam que as histórias de Clive Barker, como "Candyman", foram baseadas em fatos reais. O mesmo pode ser dito da Bruxa de Blair e muitas outras histórias.
A mitologia sobrevive no mundo moderno através de lendas urbanas, mitologia científica e muitas outras maneiras.
O anime e a série de mangás, Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya no original), por exemplo, é considerada a que mais se baseia nas histórias das mitologias antigas, como a Mitologia Grega, Nórdica, Egípcia, e diversas outras. A história não é uma mitologia; ela conta a história das mitologias tradicionais, onde guerreiros representam constelações e têm como objetivo enfrentar os deuses que se opuserem a Atena (deusa grega da sabedoria). Vários personagens e monstros mitológicos como o Orfeu e o Cérbero estão presentes no nosso cotidiano.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Museo Histórico e Paleontológico de Monte Alto.

O Museu Histórico e Paleontológico de Monte Alto, inaugurado em 1992, é considerado uma das maiores atrações turísticas do estado de São Paulo e um dos museus paleontológicos mais completos. Localiza-se na cidade de Monte Alto e possui ampla sala de exposição com variados fósseis Históricos. O município de Monte Alto está localizado sobre rochas sedimentares do grupo Bauru do período Cretáceo Superior com idade variando de 65 a 85 milhões de anos atras. No final desse período que ocorreu o desaparecimento dos grandes réptes chamados dinossauros, o que representa o fim da era dos mesmos. A descoberta dos fósseis foi de forma casual em 1985 e com diversas escavações realizadas coletou-se grande número de exemplares em todos os afloramentos encontrados nessa região. São restos fósseis de animais que viveram há dezenas de milhões de anos, que despertaram grande interesse da comunidade científica. Desse modo surgiu a necessidade da construção de um museu para abrigar os fósseis recolhidos nos arredores da cidade e mesmo nas cidades vizinhas provenientes de depósitos fossilíferos associáveis as formações Adamantina e Marília do Grupo Bauru Cretáceo Superior continental da Bacia do Paraná. Como parte integrante do Museu Hitórico e Cultural "Dr. Fernando José Freire de Andrade", o Museu Histórico e Paleontológico de Monte Alto foi construido e inaugurado no dia 22 de julho de 1992. Sua construção contou com o apoio técnico de professores do Departamento de Geologia Sedimentar da Unesp-Campus de Rio Claro, do Departamento de Geologia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (com os quais tem convênios ), do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional do Rio de Janeiro e da Prefeitura Municipal de Monte Alto.
O acervo do Museu é composto basicamente de ossos ou fósseis de dinossauros saurópodes, moluscos, bivalves, tartarugas e crocodilos todos do período cretáceo recolhidos nos afloramentos da região e que estão distribuídos em cerca de 85 vitrines. Destacam-se o fóssil do Titanossauro, dinossauro herbívoro de grande porte atingindo cerca de 12 metros de comprimento e 10 toneladas de peso. Conta também com fósseis da Chapada do Araripe - Ceará e de outras localidades do Brasil recebidos por doações de amigos e professores de répteis pré-históricos, chamados de dinossauros e outros animais.