domingo, 24 de janeiro de 2010

fósseis de Hominídeos são achados na Etiópia.

Fonte: O Estado de São Paulo, 20/01/2005, Vida &, p. A13

Mais peças do complexo quebra-cabeça da história evolutiva do homem são descritas hoje na revista científica Nature (www.nature.com). Pesquisadores dos Estados Unidos e da Espanha estudaram fragmentos fósseis de nove indivíduos da espécie Ardipithecus ramidus, hominídeo que pode ter sido primo do Homo sapiens há cerca de 4,5 milhões de anos. Essa não é a primeira vez que a espécie é estudada - o A. ramidus foi descrito em 1994. Agora foram encontrados pedaços de mandíbulas, dentes, mãos e pés no sítio arqueológico de As Duma, na Etiópia. Na revista, os cientistas mostram um dente canino pequeno e grosso, similar ao de outros ancestrais humanos, mas outros dentes, como molares, lembram os dos grandes primatas.

Como poucos fragmentos do A. ramidus foram achados até hoje, pouco se sabe sobre ele. Outros exemplares sugerem que sua cabeça ficava exatamente acima da coluna cervical e ele seria ainda mais baixinho do que o hominídeo mais famoso do mundo, também desenterrado na Etiópia: o Australopithecus afarensis, apelidado de "Lucy", com 3,6 milhões de anos e 1,10 metro.

Para o principal autor do estudo, o paleoantropólogo Sileshi Semaw, da Universidade de Indiana, o achado confirma que hominídeos andavam sobre dois pés já naquela época. "Algumas janelas estão sendo abertas na África para olharmos evidências fósseis dos primeiros hominídeos, mas o quadro que temos de sua anatomia e comportamento ainda é um borrão", disse.

LINHAGEM CONFUSA

A árvore genealógica do homem está longe de ser harmoniosa, cheia de lacunas e ramificações que não vingaram. Além disso, o meio acadêmico ainda discute quando alguns primatas deixaram de se locomover apenas usando as quatro patas para assumir a posição vertical, ainda que com uma caixa craniana pequena e poucas mudanças nos hábitos.

O Ardipithecus é um dos candidatos ao posto, apesar de ainda se parecer muito mais com os chimpanzés do que com humanos. Outro que corre no páreo é o Sahelanthropus tchadensis, ou "Toumai", com 6 ou 7 milhões de anos.

Semaw, apesar de defender a posição ereta do A. ramidus, prefere manter distância da polêmica: "Mais descobertas são necessárias para a completa compreensão das origens biológicas de nossos ancestrais."