sábado, 13 de junho de 2009

As divinas palavras.

Liatiff, Aldo. As divinas palavras: Identidade étnica dos Guarani-Mbyá. Editado por la Universidad Federal de Santa Catarina -UFSC- Florianópolis, Brasil, 1996. 160p.
El autor Nació en Río de Janeiro en el año 1958. Graduado en Filosofía en 1986 por la UFSC, obtuvo cinco años después su Maestría en Antropología Social. Como fotógrafo realizó diversas exposiciones fotográficas sobre los Guaraní de Brasil. Actualmente trabaja como antropólogo en el Museo Universitario de la UFSC.
Editora da UFSCCampo Universitario - TrindadeCaixa Postal 47688010-970 - Florianópolis - SC Brasil
Por Sílvio Coelho dos Santos
Escrito como dissertaçao de mestrado, este livro oferece uma importante contribuiçao para o entendimento do universo dos Guarani-Mbyá. Seu autor, Aldo Litaiff, teve experiência profissional como fotógrafo e formaçao acadêmica na área de Antropologia. Durante o curso de mestrado realizado na UFSC, dedicou-se à Etnologia e aos Guarani-Mbyá. Escolheu um pequeno grupo que recém havia se localizado no litoral do estado do Rio de Janeiro, numa pequena area incrustrada na Serra do Mar. Talvez por obra do acaso, Aldo Litaiff percorreu uma parte da trajetória de Egon Schaden, um dos pioneiros dos estudos antropológicos sobre os Guarani, que também elegeu pequenos grupos Mbyá, no litoral de Sáo Paulo, para suas pesquisas. E o fez, com sucesso e originalidade. Sua sensibilidade como profissional da fotografia, náo só orientou a inclusáo de uma documentaçâo fotográfica de excepcional valor etnográfico, como permitiu-Ihe incorporar depoimentos de diferentes informantes que mais parecem descriçoes textuais de closes e de ampliaçoes de detalhes fotográficos.
Os Cuarani-Mbyá têm uma longa experiência de resistência à dominaçao branca. Habitantes tradicionais da floresta, esses índios, no presente, começaram a adquirir maior visibilidade pelas lutas que travam para assegurar pequenas áreas de terra, que lhes permitam manter pelo menos, parte de seu modo de vida. Algumas famílias extensas têm logrado o apoio de organizaçoes nao-governamentais, de governos municipais e da própria FUNAI para lhes assegurar o acesso a uma ínfima parcela das terras que outrora eram suas. Mas, em geral, como sao índios que usam calça e camisa, aparecem para a maioria dos interlocutores de forma estereotipada, ou seja, como sujos, bêbados, malandros e, assim, desqualificados para pleitearem quaisquer direitos. A procura da "terra sem males", localizada no imaginário dos Guarani, para além do Atlântico, por si nao minimiza as responsabilidades dos brancos sobre os poucos espaços territoriais que sobraram para esses índios. A perambulaçáo desses índios, organizados em pequenos grupos familiais, por estradas e ródovias do Sul e Sudeste do país, é uma face trágica dessa diáspora. O que Aldo Litaiff faz com mestria é mostrar a dignidade desses índios, destacando sua visáo de múndo, sua cosmologia e suas representaçoes étnicas. Com esse escopo, muita sensibilidade e comprometimento, dá-nos uma descriçao polissêmica, densa e realista dos Mbyá, da aldeia Bracuí, contribuindo assim para a melhor compreensao dos problemas vivenciados pelos índios, enquanto minoria no Brasil presente.